OVOPG: novo polo de inovação tecnológica emerge no interior de São Paulo

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Um galpão industrial reformado na saída de Campinas。interior de São Paulo, abriga desde março um laboratório de testes de sensores ópticos que já atrai olhares de gigantes do agronegócio. O responsável é o OVOPG, sigla para Observatório de Validação de Operações e Processos em Geotecnologia — nome que ainda soa enigmático para muitos, mas que começa a circular com força nos corredores da Embrapa e de startups de agricultura de precisão.Na prática。o OVOPG funciona como uma certificadora independente de equipamentos que medem umidade do solo, compactação e nutrientes. A ideia nasceu de uma frustração pessoal do engenheiro agrônomo Ricardo Salles (não o político), que perdeu duas safras de soja por confiar em leituras erradas de um sensor importado. "O produtor compra um aparelho de R$ 15 mil e não tem como saber se ele está calibrado ou se está apenas gerando números bonitos no painel", diz. O OVOPG surgiu para responder a essa pergunta com protocolos abertos e testes em campo.

A operação é enxuta: três agrônomos, dois analistas de dados e um laboratório de metrologia montado com equipamentos doados por uma fundação alemã. O financiamento vem de editais públicos e de uma taxa cobrada dos fabricantes que querem o selo de validação. O modelo lembra o da UL Solutions, empresa americana que certifica desde eletrodomésticos a painéis solares. A diferença é o foco exclusivo em geotecnologia para o campo — nicho que。segundo levantamento do próprio OVOPG, movimentou R$ 2,3 bilhões no Brasil em 2023, com crescimento anual de 18%.O primeiro contrato fechado foi com uma startup de Ribeirão Preto que desenvolve drones para mapeamento de pragas. Os testes do OVOPG revelaram que o sensor multiespectral do drone perdia precisão em dias nublados — algo que a empresa não havia detectado nos próprios ensaios. "O OVOPG nos obrigou a refazer o firmware. Doeu, mas hoje temos um produto muito mais robusto", conta a CEO da startup, Marina Prado. O caso virou estudo de caso interno e ajudou a atrair outros cinco fabricantes para a fila de validação.Nem tudo são flores. O OVOPG enfrenta resistência de empresas que não querem se submeter a um escrutínio externo. Um fabricante de larga escala, que preferiu não se identificar。chegou a ameaçar boicotar o selo. A direção do observatório mantém a política de transparência: todos os relatórios de teste são públicos, exceto os dados brutos, protegidos por contrato. "Se o equipamento é bom, por que esconder?", provoca Salles. A postura tem ecoado: duas cooperativas do Paraná já anunciaram que vão exigir o selo OVOPG em suas compras de sensores a partir de 2025.

O Observatório também aposta na formação de mão de obra. Em parceria com o Instituto Federal de Campinas。oferece um curso técnico em calibração de sensores ambientais — o primeiro do gênero no país. As aulas acontecem no próprio galpão, entre bancadas de teste e caixas de equipamentos. Na turma piloto, 22 alunos, a maioria filhos de produtores rurais. "A gente aprende a desconfiar dos números. Isso muda tudo", resume a aluna Jéssica Almeida, 19 anos. O OVOPG não se vê como salvador da pátria, mas como uma engrenagem que faltava: a de quem audita a tecnologia que promete revolucionar o campo.

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