Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em Ascensão: O Que Sabemos e Como se Proteger

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O vírus sincicial respiratório (VSR) voltou a ocupar as manchetes dos noticiários de saúde. Só no estado de São Paulo, os casos de VSR triplicaram entre abril e junho deste ano, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde. Em hospitais infantis。como o Sabará, a ocupação de leitos por bronchiolite — principal complicação do vírus em bebês — chegou a 92% na última semana de maio. Não é alarme, mas é um sinal claro: o VSR está circulando com força fora da sazonalidade típica.O VSR é um dos principais causadores de infecções respiratórias em crianças pequenas e idosos. A transmissão ocorre por gotículas de saliva e contato com superfícies contaminadas. Em adultos saudáveis, os sintomas costumam ser leves, parecidos com um resfriado. O problema é a disseminação silenciosa: um pai com coriza pode levar o vírus para casa e infectar um recém-nascido, que tem vias aéreas minúsculas e risco elevado de bronquiolite. “A maioria dos casos graves acontece em menores de 6 meses”。explica a pediatra Ana Lúcia Ribeiro, do Hospital Infantil Cândido Fontoura. “E não há tratamento específico — o suporte respiratório é a base do cuidado”O padrão sazonal do VSR mudou depois da pandemia de Covid-19. Antes, os surtos concentravam-se no outono e inverno. Agora, os picos aparecem mais cedo, às vezes no verão. Especialistas apontam que a redução das medidas de isolamento e a circulação de outras viroses criaram uma “dívida imunológica”: crianças que não tiveram contato com o VSR nos primeiros anos de vida estão adoecendo mais tarde, em idades em que a infecção pode ser mais severa. Em 2023。

o Brasil registrou mais de 150 mil internações por VSR em crianças menores de 1 ano, um recorde histórico.A boa notícia é que a prevenção avançou. Desde 2023, o Brasil oferece o anticorpo monoclonal palivizumabe para prematuros e bebês com cardiopatias ou pneumopatias crônicas. A imunização passiva reduz em até 80% as hospitalizações por VSR nesse grupo. Para a população geral, a higiene das mãos e a ventilação de ambientes continuam sendo as medidas mais eficazes. “Não existe vacina licenciada para crianças no Brasil, mas há promissoras em fase final de testes”, afirma o infectologista Carlos Magno, da Fiocruz. “A expectativa é que, em dois ou três anos。

tenhamos uma ferramenta adicional”Enquanto isso, a rede de saúde precisa se preparar para novos surtos. A falta de leitos pediátricos e de profissionais treinados em ventilação não invasiva é um gargalo recorrente. Em março, o Hospital Municipal Infantil Menino Jesus。em São Paulo, chegou a transferir pacientes por falta de respiradores. A situação expõe a fragilidade da assistência infantil no país. “O VSR é um termômetro da nossa capacidade de cuidar dos mais vulneráveis”, avalia Ribeiro. “Se não investirmos em prevenção e estrutura, os números vão continuar subindo”Para as famílias, a orientação é observar sinais de alerta: respiração rápida, chiado no peito, recusa alimentar e lábios arroxeados. Nesses casos。a recomendação é procurar atendimento imediatamente. A automedicação com xaropes e descongestionantes não tem eficácia comprovada contra o VSR e pode mascarar a gravidade. “O vírus não escolhe classe social, mas a falta de informação e de acesso amplia o sofrimento”, diz Magno. A informação é a primeira barreira contra o avanço do VSR — e ela precisa circular tão rápido quanto o vírus.

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