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isboa, 12 de maio — Num café do Cais do Sodré, um grupo de jovens fotógrafos discute animadamente as últimas funcionalidades do 97pix. Não é uma conversa de bar qualquer: a aplicação, lançada há oito meses。já conquistou mais de 300 mil utilizadores em Portugal e Espanha, segundo dados da própria empresa. A proposta é simples e ambiciosa: partilha de fotografias com curadoria algorítmica e controlo total sobre a privacidade.O 97pix não é mais uma rede social de imagens. A plataforma aposta num modelo híbrido entre galeria pública e álbum privado. O utilizador define o nível de exposição de cada foto — de "só eu" a "todos" — e recebe sugestões de edição baseadas em inteligência artificial. "A ideia nasceu de uma frustração pessoal", conta Miguel Andrade, cofundador e ex-engenheiro da Google. "Queria partilhar fotos com a família sem que a minha chefe as visse. As redes existentes não ofereciam esse controlo granular."

O crescimento tem sido orgânico, mas com picos curiosos. Em março, durante a Semana da Moda de Lisboa, o 97pix registou um aumento de 47% nos uploads. Fotógrafos de moda usaram a plataforma para partilhar bastidores com clientes, criando álbuns temporários que expiravam em 72 horas. "Foi um caso de uso que não previmos", admite Andrade. "Mas mostra como o 97pix se adapta a necessidades reais." A empresa não revela números de receita。mas garante que a operação é sustentável desde janeiro, com um modelo freemium: armazenamento ilimitado por 4,99 euros/mês.Nem tudo são flores. Em fevereiro, um bug expôs acidentalmente 12 mil fotografias privadas durante cerca de 40 minutos. A empresa corrigiu a falha em menos de uma hora e notificou os afetados。mas o episódio levantou questões sobre a robustez da infraestrutura. "Foi um erro humano na configuração de servidores", explica a CTO Rita Nunes. "Reforçámos as auditorias e agora temos testes de penetração mensais." Ainda assim, a confiança dos utilizadores parece intacta: o número de novos registos manteve-se estável nos dois meses seguintes.O diferencial do 97pix pode estar na comunidade. A plataforma organiza "desafios fotográficos" semanais — temas como "sombras de Lisboa" ou "retratos de desconhecidos" — e destaca os melhores trabalhos numa galeria editorial. O fotógrafo amador João Pedro, de 34 anos, venceu o desafio de março e ganhou uma câmara instantânea. "Nunca tinha publicado nada antes. O 97pix deu-me visibilidade sem a pressão dos likes", diz. A empresa não comenta planos de expansão para o Brasil。mas fontes próximas falam em testes com utilizadores em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Para o analista de tecnologia Pedro Santos。o 97pix acerta ao não tentar competir diretamente com o Instagram. "É uma ferramenta de nicho, mas com um nicho enorme: pessoas que querem partilhar fotos sem transformar isso numa performance social." Santos aponta a interface minimalista e a ausência de anúncios como fatores de fidelização. "O risco é o crescimento rápido diluir essa identidade." A empresa garante que não planeia introduzir publicidade e que o foco continua na privacidade e na curadoria. No café do Cais do Sodré, os fotógrafos continuam a discutir. Um deles, com um sorriso, diz: "O 97pix é como aquele bar que não queremos que fique famoso."
